A Foggy Day in London Town

A Foggy Day in London Town

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Coluna TECNOLOGIA PARA VENDER MELHOR - nº 2

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 0
O assunto do momento é: tecnologia da organização. Isso mesmo, no sentido absoluto de colocar cada coisa no seu lugar em sua devida ordem e na hora certa. Mais uma vez o fim do ano chegou e – tenho certeza – quase ninguém cumpriu suas promessas de ano novo (que já é quase ano velho). Porque o dinheiro não deu? Pode ser, mas a maioria esqueceu ou nem pensou em todas elas. E por não ter organizado bem as tarefas deixou de fazer alguma coisa importante, seja um novo negócio ou uma ligação no aniversário da sogra. Todo esquecimento acaba gerando um ônus indesejável.

Há uns 30 anos atrás eu sugeriria colocar um laço no dedo para cada afazer, mas com tantas obrigações que temos hoje ia faltar dedo. Tecnologicamente prefiro o uso de ferramentas de produtividade. Se você é daqueles superantenados, um bom smartphone pode ajudar. Mas se não é tão antenado assim (desantenado também não dá) pode substituir os laços nos dedos pelo Microsoft Outlook ou por uma personalização da sua página inicial da internet com o iGoogle. Este último é gratuito, fornece um monte de recursos personalizados para aumentar a produtividade ao primeiro clique no navegador. Quem não entra na net no começo do dia ao pra ler notícias ou checar e-mails? Que tal visualizar, antes de começar a surfar, seus compromissos, aniversários, tarefas, etc.?

É bom que cada um de nós aceite que nos tempos modernos temos mais tarefas por dia que horas por dia. Agora, para não dar nó na cabeça nem ter sempre a impressão de que o dia passou e não se fez nada (mesmo passando o dia inteiro na labuta) é preciso aprender a se organizar e usar ferramentas de produtividade. Em 2011 quero ouvir todo mundo dizendo que usou a tecnologia a seu favor, não só para vender melhor, mas para viver melhor.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Coluna TECNOLOGIA PARA VENDER MELHOR - nº 1

terça-feira, 31 de agosto de 2010 0
Uma coisa engraçada de observar é que com tantos problemas no mundo para tirar o sono do revendedor, a maioria dorme e acorda mesmo é pensando na quantidade de litros que foram vendidos ou deixaram de ser. Tenho certeza que alguns também se perguntam se estão sendo roubados nesse exato momento enquanto lêem o jornal do sindicato ou se o frentista tal vai faltar e será preciso remanejar a escala. Porque não nos preocupamos com coisas mais convidativas como o resultado da mega-sena, por exemplo? Eu mesmo acho bacana esperar semanalmente para – outra vez - não ficar milionário. Mas com tantos acontecimentos ao seu redor, fica difícil, eu sei. Aí me pergunto como o ser humano, um macaquinho tão evoluído, ainda não absorveu completamente a idéia de que tudo a sua volta vem se desenvolvendo para lhe dar a tranqüilidade de colocar a cabeça no travesseiro e dormir. E quem sabe dormindo tranqüilo você consiga pensar melhor no resultado da mega-sena, hã?

Jogos de azar a parte, a grande jogada é conseguir observar o valor tecnológico das coisas e como elas podem nos ajudar. Não estou falando só de equipamentos, computadores, botões e botõezinhos para automatizar tarefas, não. Refiro-me às coisas simples que estão ao seu redor. Até mesmo o pãozinho francês do café da manhã está cheio de tecnologia. Na sua casquinha crocante, na uniformidade do produto, no aumento da produção, enfim, naquilo que possa dar um pouco de sono tranquilo ao padeiro. Se o padeiro pode, por que nós não poderíamos ter acesso à tecnologia de praticamente tudo? Segurança, comunicação, vendas, capacitação, controle, limpeza, etc., é só fazer a escolha certa para cada atividade e “curtir o barato”. O importante nisso tudo é saber escolher a tecnologia boa, que não é aquela que simplesmente substitui o ser humano em suas tarefas, mas a que consegue diminuir o esforço e as preocupações para que ele possa se concentrar naquilo que só ele pode fazer – pensar. E também dormir em paz e sonhar, sabendo que tudo está funcionando bem enquanto descansa. Se for pra ficar sonhando com números, é melhor que sejam mesmo os da mega-sena, não acha?

Texto integral da coluna publicada no jornal Posto Noticias do Sindicombustiveis-PE ed. Jun/Jul 2010, pág 07.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Às vezes é preciso matar a fome com a vontade de comer

segunda-feira, 2 de agosto de 2010 0

Certo dia em uma terra afastada dos lulismos do cotidiano, um homem acordou de manhã bem cedo, antes mesmo do sol nascer. Esquentou um pouco de água e coou seu café que já estava no filtro desde a noite anterior. Tomou em pequenos goles aproveitando cada um como se fosse o último. Preparou sua carabina e antes de sair abriu a porta do quarto do seu pequeno filho e lhe beijou a testa repetindo a mesma frase de todos os dias – filho, cresça e seja um bom homem. Como de costume ele caçou, caçou e caçou. Já próximo do meio-dia, ao retornar para casa com as duas pequenas lebres que conseguiu capturar penduradas em seu alforje, escutou um barulho de multidão. Saindo um pouco de seu caminho habitual foi ao encontro daquelas pessoas e ouviu atentamente o que pregava um deles em uma tribuna improvisada com caixotes. Escutou histórias fantásticas sobre grandes farturas, comida suficiente sem precisar caçar, café em abundância sem ter que plantar e outras tantas coisas magníficas que até então só tinha ouvido nas histórias de ninar contadas por mãe. Para conseguir ter tudo isso ele só teria que abrir mão da sua carabina e uma vez por ano colocar em uma caixa que ficava no meio da praça o nome daquele homem que os falava. Achou justo e assim o fez. Deixou a carabina ao pé do palanque e voltou para sua casa largando no caminho as duas magras lebres que engordariam o seu ensopado.

Desde aquele dia tornou-se habitual uma comitiva vir de tempos em tempos até a sua porta e deixar uma quantidade de comida suficiente para ele e seu filho se alimentarem até a próxima entrega. Muitos anos passaram, seu filho cresceu e como não tinha mais a carabina, não pôde o ensinar a caçar como tinha feito seu pai consigo. Tudo o que o pequeno, agora grande, sabia era esperar o dia da comida chegar e sonhar. Em um ano de inverno rigoroso, pai e filho aguardavam ansiosamente a chegada do alimento que desta vez teria que ser bem farto, pois nunca tinha se ouvido falar em um inverno daqueles. Mas a comitiva não veio. E esperaram e esperaram e nenhum sinal. De repente viram que não tinham mais comida e também não tinham forças para ir até a comunidade buscar informações. O pai, já velho, lembrou vagamente do que fazia antes de entrar em acordo com aquele pregador de promessas. A lembrança veio com saudades de quando saia de casa todos os dias abençoando seu filho e com o pesar de não ter mais a velha carabina. Sentiu calafrios ao pensar que não adiantava pedir ao filho que fosse sentir por si próprio o calor e a dignidade de buscar na natureza o alimento, pois o garoto, agora homem, só sabia sonhar e esperar.

Emagreceram quilo a quilo, dia a dia, os dois, um olhando para o outro. O pai chorava por dentro e o filho, que nada tinha por dentro além de fome, chorava por fora. Não se sabe se aquele velho morreu de inanição ou desgosto, esquecido pela comitiva que nunca mais passara. Mas se sabe que o filho nem pôde enterrar o pai porque não tinha forças e definhou tão esquecido quanto ele, enquanto seu estômago estrangulado de fome era o único sinal físico de que não iria poder realizar seus antigos sonhos. Morreu sonhando com a única imagem que ainda lhe restava: a velha comitiva chegando com o mais farto banquete que já vira.

Sentir fome hoje em dia é anti-social e antiquado. Foi-se o tempo em que quem tinha fome tinha pressa. Nas atuais conjunturas nacionais a falta do que comer foi substituída pelo queijo suíço das políticas públicas de assistencialismo. Embora essas ações sejam maravilhosas aos olhos, acabam sendo insatisfatórias a quem deviam mesmo agradar – os estômagos.

Fome Zero e Papelão. Fonte: blogdafome.blogspot.com
Enquanto o governo prega o fim da miséria e da inanição, o país se enche de buchos vazios que circulam por ai como os pequenos animais recém-nascidos que aguardam o alimento cair na boca até que aprendam a caçar com as próprias forças. Mas com uma sutil diferença entre os bichos-bichos e os bichos homens. No nosso caso as tetas que fornecem a comida ficam tempo demais alimentando a cria, que não aprende a buscar a sua própria. A partir do momento em que não passar fome virou sinônimo de barriga cheia, o parâmetro da necessidade de trabalhar subiu de zero para um salário mínimo e com isso voltamos a sentir fome. Não somente a fome alimentar que o nosso cérebro reporta como um grande aperto no estômago e uma fadiga sem fim, mas a necessidade de ter mais. E como ter mais se não sabemos de onde veio o pouco que se tem nem tampouco o valor disso?

Se baixarmos a guarda para as políticas assistencialistas vamos nos tornar para sempre caçadores esquecidos, sem armas e sem forças, escravos de uma comitiva de benefícios que nos custam somente a honra e nada mais. Depois será somente rezar para que tomem conta das nossas vidas, pois elas já não nos pertencerão. Para nós ficará somente o vazio da fome matada pela vontade de comer o que colocamos com as próprias mãos na mesa enquanto saboreamos o prato frio das promessas de dias melhores.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Crítica: Lula, o filho do Brasil

terça-feira, 18 de maio de 2010 0
Lula, o filho do Brasil detém alguns atributos que oportunamente só poderiam ser aplicados à biografia do nosso ostentoso presidente. É a produção nacional mais cara da história, custando 12 milhões de reais arrecadados sem nenhum recurso governamental (segundo os produtores). É também a mais unilateral visão de um personagem político tão polêmico como Lula, fiel representante das massas que foi do nada à presidência de uma das maiores potências entre os países em desenvolvimento do mundo. Por último, mas não por fim, é a mais “emocionante” história de um filho cuja trajetória só encontrou sentido nos passos da sua mãe.
Baseado no livro homônimo da jornalista Denise Paraná, o filme apresenta o que seria a primeira parte de uma saga sobre a vida de Luis Inácio da Silva. Esta fase compreende desde o seu nascimento, passando pelo amadurecimento como homem pelas mãos de Dona Lindu (sua mãe, impecavelmente interpretada por Glória Pires) após a família ser abandonada pelo pai e chegando à apresentação do Lula sindicalista, carismático, que se prepara para a longa jornada que seguirá até chegar à chefia do Estado maior.
É notório que o diretor Fábio Barreto não conseguiu se livrar os clichês nordestinos encontrados em qualquer filme que se passe ou tenha uma parte no universo sertanejo, seja ele Central do Brasil ou Lula, o filho do Brasil. A produção é carregada de jargões e lugares-comuns. Segue do sofrimento à superação, do pau-de-arara para a firmação, sempre enaltecendo as excelentes qualidades do nosso bondoso velhinho de barba. É como se o Duda Mendonça tivesse conhecido Lula ainda na infância e o tivesse feito herói já naquele tempo.
O roteiro se preocupa (e gasta) boa parte do tempo encaixando os romances da vida de Lula. Desde a sua primeira mulher (Lurdes, interpretada por Cléo Pires) que morreu no parto junto com seu filho até o encontro com a viúva Marisa (Juliana Baroni), sua esposa até os dias de hoje. Mas nem mesmo o pieguismo consegue tirar de cena Dona Lindu, que por muitas vezes parece protagonizar a narrativa. Caso se tratasse de uma produção exclusivamente pernambucana, seria capaz de afirmar que o filme foi feito para justificar o batismo do parque faraônico com o nome da mãe do presidente, que segue até a morte com sua enxurrada de frases feitas e ditos populares.
Não poderiam faltar os discursos feitos para as multidões de operários, quando a perda do seu dedo mindinho o fez transformar-se de metalúrgico em líder sindical, ressaltando a sua simpatia e carisma e escondendo todo o plano político que começava a se formar. Essa fase é brindada com imagens de arquivo, recortes de jornais e trechos de matérias televisivas da época que no meio de tanta profusão de informações aleatórias acabam por pagar o ingresso
Para o ator Rui Ricardo Dias sobrou o trabalho de interpretar Lula e seguindo a tradição de papéis marcantes no cinema, vai carregar por muitos anos o estigma de ser o Harry Potter canarinho. Nota-se que ele tem uma preocupação de imitar a fala do presidente, com uma voz rouca e de língua presa que até se confunde com a do original. Pena que a direção não atentou para esse detalhe que acaba sendo esquecido do meio pro fim. Sessões de fonoaudiologia? Está mais pra erro de continuidade mesmo. A parte visual merece maiores elogios. Recursos de imagens foram bem aplicados pela acertada direção de arte de Clóvis Bueno e de fotografia de Gustavo Hadba. A trilha sonora, de António Pinto, casou com o ar melancólico e nostálgico do filme. Palmas para a trilha, não para a exacerbada melancolia.
O grande fator cansaço do filme é a inexplicável persistência em mostrar a trajetória de liderança e as constantes vitórias que qualquer um nascido até os anos 80 sabe bem que não foi lá tão perfeita. A garra de um homem que sem nenhum recurso e apesar das adversidades conseguiu realizar seus sonhos, grande mensagem da produção, pode ser recortada e colada na vida de uma centena de personagens históricos. Peço licença pra afirmar por minha conta que acho que Barack Obama assistiu ao filme achando que era um portfólio de Lula e por isso o chama de “O Cara”. Nunca antes na história deste país foi visto um homem tão politicamente correto em sua carreira profissional, nem tão polido em sua vida pessoal.
A consequência disso tudo foram inúmeras críticas acusando o filme de ser político e eleitoreiro que afetaram diretamente a bilheteria. Cerca de 193 mil pessoas foram aos cinemas em sua estréia. Nada muito preocupante, mas que o deixam bem atrás de outras produções brasileiras, algumas muito mais baratas. Chico Xavier, por exemplo, teve 590 mil expectadores em sua estréia; Dois Filhos de Francisco, 315 mil. Se eu fosse você 2, 570 mil. É bem provável que o sucesso fosse maior se a tentativa de transformar o homem em mito viesse depois e não antes de sua martirização.

Assista ao trailer:




sábado, 27 de junho de 2009

O Marquês e o vendedor de ostras

sábado, 27 de junho de 2009 0

O Marquês Pedepanno é um tipo que gosta de ir à praia, mas se enfurece quando resolve chover nos dias em que decide ir. Certo dia, cansado do tom branco neve da pele da Marquesa, resolveu com seus próprios botões (que não são poucos) que iria à praia dar um “quê” de jambo à sua pele. Em dias de ir à praia o marquesado ficava praticamente como hotel da seleção brasileira em dia de jogo de copa do mundo. Mobilização total. Dezenas de súditos correndo pra todos os lados. Sem contar as incontáveis comitivas que se preparavam para ir antes anunciando a chegada do Marquês, e a comitiva de CET (clima e temperatura) que já deveria estar na praia quando o Marquês sonhasse com essa idéia (para isso existe o setor de PIM – pensamento e intuição do Marquês, encarregado antecipar todas as vontades do nobre). Lembro-me que no último verão, uma confusão causada por um estagiário daltônico do CET fez com que a marquesa levasse seu biquíni azul em vez do verde perolado que a água fazia naquele dia... Pobre estagiário, até hoje vaga cego por entre os becos do marquesado. A praia ficava a alguns quilômetros do castelo do Marquês e se fazia necessário sair umas tantas horas antes que o casal acordasse. Era um grande trabalho para a equipe de CMD (carregamento do Marquês-dormindo) fazer logo cedo. Durante o trajeto, lá pelas nove e tantas, ao acordar, o Marquês balbucia:

- Benzinhôoo... Bom dia! Veja que sol mais lindo e brilhante que separei só pra você... (sons de pássaros eram ouvidos... Ah, esqueci de dizer, eles eram colocados na gaiola propositalmente na janela do quarto-móvel para cantar ao acordar dos marqueses)

- Cala a boca Pedepanno e me deixa dormir. Minha pele vai ficar um horror se eu acordar antes das 10. Parece que não sabe...

- Mas benhê, hoje é dia de praia. Que tal se você colocasse aquele fiozinho-dental que te deixa mais gostosa, hein, hein?

- E deixar à mostra as duas celulites horrorosas que me apareceram? Nunquinha. Deixa eu dormir meu sono da beleza senão o tempo vai fechar e não vai ter praia pra ninguém.

O Marquês, muito perspicaz em termos de Marquesa, fez o que o mais sábio dos homens faria na mesma situação... Fechou as cortinas e foi para fora do cômodo, sem incomodar a marquesa – já pensando na manutenção dos seus testículos no lugar onde estão. E foi contemplar a beleza da paisagem.

- Que belo sol hein Sócrates? (falou o Marquês para Sócrates, o PCR (piloto de carruagens real). Quanto tempo temos antes de chegarmos ao mar?

- Seu dotô é o seguinte: dada em vista as considerações contemporâneas e as estatísticas das últimas 15 viagens à praia, acredito que em 33 minutos e 17 segundos estaremos em terreno arenoso.

O Marquês prezava pela precisão das informações e costumava punir severamente os erros, divergências e assincronias. A maioria dos comandantes de embarcações, pilotos, navegantes e comissários de bordo passavam por um treinamento rigorosíssimo de planejamento estratégico de viagens. Ao final de 33 minutos e exatos 17 segundos estavam o Marquês Pedepanno e sua senhora na praia – Ah! O Paraíso.

- Pedepanno, passe bronzeador nas minhas costas.

- É pra já! Meu docinho de damasco grego.

- Pedepanno... Isso é – bronzeador – e não catchup. Não precisa gastar o vidro todo.

- Bem que poderia ser um daqueles óleos corporais com sabores exóticos. Eu não me incomodava nem um pouco de lamber todinho depois...

- Tira a mão daí e sai da frente, você está tapando o sol inteiro com essa sua pança real.

Quando algum nobre chegava à praia era um alvoroço só. Incontáveis vendedores ambulantes se enfileiravam para oferecer algum produto ou serviço. Eram camarões, guaiamuns, mariscos, batata-frita e toda sorte de penduricalhos e artefatos produzidos pelos locais. Mas o marquês só ficava esperando um deles... O de ostras. E esperava avidamente, como uma criança que sabe que vai ganhar um brinquedo. O Marquês era tarado em ostras. Contam as lendas que algum dia no marquesado o nobre Pedepanno cismou da caçoleta que tinha que comer ostras flambadas no café da manhã. Imagine só que um coitado de um estagiário do PBO (pratos à base de ostras) teve que se virar pra comprar ostras na baixa estação – e das grandes. Dizem que até a mãe do pobrezinho entrou na negociação. E não foi pra argumentar com o vendedor não, foi como pagamento pelas ostras. Finalmente, depois de uma longa fila de vendedores, chega o tão esperado ostreiro. Os olhos do Marquês brilham e a baba escorre pelo canto dos lábios.

- Vai uma ostra ai seu Marquês?

- Quanto custa?

- Tá na promoção. Duas por dez patacas.

- Promoção? Vão te promover a gerente? Só se for, por esse preço. O que é isso? Compre uma ostra e financie 8 refeições na Somália?

- Ô seu Marquês, a “cuestão” é que essas “ostrinha” aqui são “tratada” à pão-de-ló e ração da mais pura pureza da região. E tem a patroinha e os “pirráia” lá em casa pra dar de comer. Sabe como é, o IPI reduz, a gente compra geladeira, mas continua sem ter o que pôr dentro. Sem contar o mau estado das “bolsa de valô” e a “dscaptalização” do “eterocentro” econômico do nosso marquesado que “num” tá com essas bolas todas.

- Tudo bem, também não precisa chorar, eu entendo sua preocupação e minha fome. Vou fazer vista grossa a esse superfaturamento só porque aquela ostra ali está sorrindo pra mim.

O Marquês Pedepanno não só entendia dos problemas financeiros do seu marquesado como era o autor da maioria deles. No mês anterior, em visita à sua fábrica de artesanatos do mundo, ele notou uma diminuição na venda de leques indianos (uma imitação muito bem feita, baseada em modelos autênticos trazidos pelo marquês e sua esposa daquela mesma viagem à índia). Dada essa situação, resolveu entrar na moda do toma-lá-dá-cá e diminuiu o IPI (imposto sobre produtos impostos – uma espécie de cesta básica compulsória descontada em folha de todos os empregados remunerados financeiramente do marquesado). Em contrapartida fez um justo decreto obrigando todos os beneficiados com a redução do IPI a converter o valor economizado em leques indianos artesanalmente produzidos pela fábrica do Marquês.

- “Compreta?”

- Com tudo, azeite, sal, cominho e limão – pouca pimenta.

Os olhos do Marquês brilhavam e a ostra descia escorregando por sua garganta como um manjar dos céus. E mais outra, outra e outras. Assim foi durante grande parte da tarde. Depois de gastar mais de 300 patacas em ostras, o Marquês resolveu parar. Tendo em vista que ele já não conseguia mais nem respirar direito, há de se convir que foi uma quantidade suficiente. Na volta pra casa, esparramado nas almofadas reais, Pedepanno balbuciava um gemido estranho e a delicada Marquesa observava:

- Pedepanno, que *&$%$ de posição é essa? E que manchas são essas no seu rosto? Argh! Pedepanno, que cheiro horrível. Podia se controlar, ou ao menos abrir as cortinas?

- Â câm ô d´s Tom...

- Fala direito “porra”. Tá com dor de estômago? Acho é pouco. Você já viu o tamanho da sua barriga pra querer ter o olho maior que ela? Faça um favor pra nós dois e pra camada de ozônio e se tranque no banheiro.

Pedepanno chorava, gemia, e não conseguia se mexer. Nem falar alguma coisa inteligível. Conta-se que durante muitos anos os Bardos do marquesado cantaram canções que narravam a trajetória triste da volta do Marquês depois daquele ensolarado dia de praia e de infecção intestinal. Surgiram canções a respeito das 300 “potocas” em seu corpo, uma para cada “pataca”. Outras sobre as paradas no mato e os urros que ecoavam por todo o marquesado. Durante duas primaveras a palavra “ostra” foi proibida nos diálogos por lá e conta-se que foi nessa época que surgiu o termo “aquecimento global”...


sábado, 30 de maio de 2009

Aline de Araujo Coelho - Viver. E não ter a vergonha de ser feliz...

sábado, 30 de maio de 2009 4
Fazer o bem sem olhar a quem. Essa é a proposta da campanha que está mobilizando Recife, Pernambuco e quiça todo o pais. Movidos pelo exemplo de superação da nossa amiga Aline, nós, nossos amigos e amigos dos nossos amigos estamos nos unindo pra criar uma força gigantesca em busca de um doador compativel. A doação de medula óssea é um procedimento sem riscos para o doador e que pode ser a única chance de salvar uma vida. Infelizmente o índice de compatibilidade para esse procedimento é de um para 100.000, ou seja, é como achar uma agulha num palheiro. Só que precisamos mexer esse palheiro rapidamente, pois quem se encontra no estágio avançado de leucemia tem pouquissimo tempo pra esperar. Isso significa romper com os medos, os preconceitos, a burocracia e ainda a falta de estrutura do estado para coletar e cruzar os dados de doadores x receptores. Isso é muito pouco quando se tem vontade de ajudar e pode ser tudo pra quem espera por uma chance de viver. Jesus disse "eu vim para que todos tenham vida". Se cada um de nós for apenas um pouco desse exemplo, poderemos nos orgulhar de fazer uma coisa que nem todo o dinheiro do mundo pode fazer. Um dos valores que carrego comigo é - ser humano e acreditar nas pessoas - E apenas um gesto simples de doação pode representar tudo o que entendo por isso. Criando essa corrente de doadores podemos estar mudando o curso da história e do nada, por causa de um exemplo de vida, dar esperança a milhares de pessoas que veem a vida passar entre os dedos. 

Aline é uma menina linda, feliz e que eu tive a oportunidade de conhecer. Espero poder vê-la de novo entre nós, brincando, sorrindo e espalhando essa mensagem de esperança que não tenho a dimensão do tamanho que pode ter. Força a todos e vamos aumentar o número de possiveis doadores a 100.000 e assim termos uma chance de salvá-la e quem sabe, em nome dela, salvar outros 100.000 pacientes a espera de transplante.


Laboratório de análise de compatibilidade.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O que será que será? (versão alternativa)

quinta-feira, 16 de abril de 2009 2
O que será? Que será?
Que nenhum grande livro
Nuca me dirá
Que nenhuma melodia
Jamais vai cantar
Que toda fantasia
Não vai revelar
Nem toda alegria
Vai manifestar
Que todos desenganos
Não vão apontar
Que por todos os planos
Terá que passar
E que todos os anos
Tentará mudar
Que todo grande ego
Procura encontrar
Que nenhum mar de Lego
Vai representar
Se esconde no medo
O que será que será?
Que escorre entre os dedos
Sem nunca ficar
O que não tem segredo
Nem nunca terá!
O que não tem imagem
Nem nunca terá!
O que não tem feitiço...



O grande EU dos grandes EUs que se revelaram no mundo não têm nem tiveram forma precisa, não precisaram se afirmar para estar lá e nem por isso deixaram de lá estar. Fazer, acontecer, agir, são verbos que devem ser mais experimentados que conjugados. Os EUs que costumaram ser suas primeiras pessoas só o foram porque fizeram deles fenômenos da natureza. Buscar explicação é nada mais que - simplesmente - traçar um caminho mais longo para encontrar aquilo que está dentro de si e que não precisa ser explicado ou entendido. Para entender o andar, ande. Para entender o amor, ame. Se não conseguir chegar a nenhuma conclusão, ao menos passastes por eles conjugando o melhor dos verbos - Viver!

 
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