A Foggy Day in London Town

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terça-feira, 10 de março de 2009

Amor Possível

terça-feira, 10 de março de 2009

Quero falar de um AMOR POSSÍVEL. Um amor que contra a minha vontade insistiu em existir. Mas foi também um amor que - se teve vida - não aprendeu a viver. Um amor natimorto que foi concebido não sei por que razão.

Era um amor daqueles que me fazia tremer na base, perder o chão. Que me tirava a voz num segurar de mãos; que me trazia à mente um filme de minha vida nos instantes em que durava um abraço. Eu tive um desses possíveis amores possíveis. Amor este que realizei ser impossível quando enfim lhe roubei um beijo. Num instante mínimo percebi que nossas mentes pensavam o mesmo e que nossos desejos eram iguais. Mas nossos corpos se esforçavam para não serem percebidos em sintonia, e na sua outra mão, distraído, estava lá um outro alguém que tinha dela uma parte muito maior que aquela que me sobrava. Outra história, outros momentos. Eu era apenas uma aventura em pensamento. Um devaneio que tinha carne, ossos e um sentimento inexplicável. Um ardor no peito que fluía pela pele... Então caiu sobre aquele amor o medo de se entregar a um sentimento complicado e mal formado. Medo de arriscar um jogo ganho por uma partida incerta, sem regras e sem garantias. Então, por ironia de um acaso, o mesmo amor que nos uniu, nos separou. Daí pra frente, deixei de sentir em seus olhos aquela paixão que costumava me olhar. Foi substituída por um descaso meio perdido no tempo. Daí, os laços que formamos um dia começaram a se desatar, um a um. O prazer que sentíamos quando estávamos juntos foi substituído por uma amizade sem fundamentos... Mas totalmente possível.

Assim, começamos a nos ver menos, respeitar-nos mais. Começamos a mudar os assuntos, demonstrar os pudores. E antes que conseguisse perceber o que realmente havia, éramos de novo quatro. Eu, ela, o outro alguém e aquele amor morto, encaixotado. Para mim, restou o poder de fechar os olhos e lembrar-me daquele pequeno instante em que mesmo que fôssemos mil, éramos apenas os dois. E naquele momento em dois, fico feliz em ter sido - por um segundo - só um.

1 comentários:

Anônimo disse...

Esse tesxto já é um pouco antigo, mas o que eu mais gosto. E os novos, sao lindos priminho =) Beijos

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