A Foggy Day in London Town

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quarta-feira, 18 de março de 2009

O Marquês e o Súdito Ingrato

quarta-feira, 18 de março de 2009
O Marquês Pedepanno é um tipo que não aguenta brincadeira, mas está sempre lá pra brincar. Certo dia, sentado no seu trono (Marquês não é rei - tá é longe, mas se acha) achou que não tinha sido suficientemente bom nas últimas 24 horas (decerto ele tinha sido muito bom com um de seus criados na noite anterior deixando que ele experimentasse a sopa real. Normalmente isso era tarefa do provador-de-sopas-real que o fazia todas as noites para verificar se não haviam envenenado sua comida, mas como a última sopa estava "batizada" e o PSR havia morrido, alguém tinha que o fazer). Chamou então um de seus súditos que atendia pelo nome de Rufino, o LSR (lustrador-de-sapatos-real). Rufino se destacava entre os demais criados do setor de LPM (limpezas pessoais do Marquês - o Marquês adora siglas) por sempre conseguir o mais alto brilho de sapatos reais do marquesado. O nobre súdito apresentou-se rapidamente, prostrado em reverência aos pés do Marquês.
- Em que posso lhe ser útil, Vossa Nobreza? Perguntou o LSR.
- Gostaria de ser bom pra ti, caro súdito. Diz-me lá: o que te faria sentir o mais lisongeado dos meus criados?
- Ó Marquês, já me sinto infinitamente honrado em fazer parte do teu quadro de servidores. Não há nem haverá em toda a terra algo que me deixe mais lisongeado.
- Deixa de ser besta, ô cabra (detalhe, o Marquês Pedepanno é cearense). Desebucha logo e me diz o que tu queres pra que eu possa gastar essa oportunidade de ser bom.
- Posso mesmo, Vossa Majestade?
- Rápido, que essa vontade dá e passa rapidinho.
- Tem uma coisa com que eu gostaria de ser agraciado e lhe tornaria o "mais bom" dos Marqueses, ainda mais do que a infinidade que já és.
- Nestes termos, te dou ouvidos caro lustrador.
- Na sua sala de relaxamento tântrico tem uma Mandala que é muito admirada pela minha senhora e ficaria eternamente grato se pudesse tê-la em minha humilde residência.
- O QUÊ??? Tais me pedindo pra te dar a Mandala de pedrarias que a Marquesa Pedepanno trouxe da nossa última visita à India?
O casal de marqueses tinha ido à India (por causa da novela mesmo) e comprado a maior das mandalas para colocar em seu quarto de meditação tântrica com o intuito de captar as energias positivas. Na verdade era um quarto para a prática de sexo tântrico muito bem decorado e que o Marquês costumava visitar bem mais frequentemente que os outro nem sei quantos cômodos do castelo. E a mandala ficava muito bem lá.
- Desculpe Vossa Senhoria, mas você me perguntou em que poderia ser bom, e...
- LSR, vai me desculpando, mas seu pedido ultrapassou meu orçamento de bondade e como homem casado que és, deveria ter noção do que significa comprar uma briga com a patrôa. Mexer na mandala dela pode me custar um testiculo, que aliás seria o seu caso fosse necessário abrir mão de um.
- Não dá pra estourar o orçamento só essa vez? Indagou o Súdito.
- Dá pra ceder o testículo?
- Infelizmente não. Quer dizer, não pela minha própria vontade, Vossa Magnanimidade.
Nesse momento o clima ficou brabo e as nuvens negras que foram vistas ao redor do castelo foram comentadas por gerações a fio...
- Minha BSI (bondade soberana interna) me diz que posso ser magnânimo contigo e te perdoar pela heresia, mas a mandala fica onde está. Escolho como dote dessa infinita BSI que me assola, dar-te um pôster com minha foto.
- É.. Ma-ma-mais... Um pôster?
- Sim, vai ficar ótimo na sala onde irias pôr a mandala. Te concedo também a moldura (esse complemento de bondade surpreendeu até o menestrel aqui).
- Não posso aceitar, Marquês.
- Como se atreves? Concedi-te o privilégio dá minha bondade, não da minha compreensão, hoje não é terça-feira!
- A verdade é que esse artefato não combina com o meu sofá, ao contrário da mandala.
Qualquer um que lembre um pouco das histórias do Marquesado de Pedepanno saberia que essa não é uma postura muito adequada para um súdito prostrado diante do marquês, mas começo a achar que o cheiro de graxa de sapato deve ter destruido uma boa quantidade dos neurônios de Rufino.
- Guaaaardas! Ordeno que tirem esse súdito ingrato da minha frente e o coloquem na masmorra por quinze dias, comendo somente pão e água. E condeno o sofá da sua casa a ser queimado por não combinar com o pôster real.
- Mas, Marquês, piedade, por favor, não não... E continuou repetindo os nãos enquanto era arrastado pelos corredores do castelo até a masmorra...

- Piedade é aos sábados.



4 comentários:

Kaline Aguiar disse...

Muito bem! Nada de presentear ninguem com minha mandala. A sala de meditação nao seria a mesma sem ela.

Anônimo disse...

hahaha O comentario de Kal foi otimo, mas ele poderia ganhar a Mandala, era mais fácil o Marquês ir a India de novo. Adorei o Marquês Cearense.

Anônimo disse...

Interessante, essa é a nova cultura literária nos dias de hoje...

Renedir $ouza

Tiago Nobre (@tiagonobree) disse...

Writing cheap for en passant readers...

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