O livro ‘O Que é Comunicação’ de Juan Bordenave nos remete a um período histórico muito peculiar que é o início dos anos 80. Nesta época, estávamos começando a nos desvencilhar das linhas ditatoriais e a nos reconhecer como agentes formadores da sociedade de massa. O autor, que tem sua linha de pensamento orientada à educação nos prepara para essa inserção apoiado no conceito que considera primário: “a comunicação como eixo central” para a construção de uma sociedade ideal.
Inicialmente nos deparamos com a descoberta do homem social, onde este seria criador e produto da sua sociedade e cultura. Neste instante, torna-se claro a insuficiência e inadequação dos métodos educacionais até então aplicados, bem como da utilização dos meios de comunicação propriamente unilaterais (transmitiam apenas as idéias do comunicador, ignorando a natureza do receptor) e seguidores de um modelo estático. Em um segundo momento, vem a idéia de que a comunicação é inerente ao homem social e deste não pode se desvincular. O autor inicia então uma jornada retrospectiva na história, mostrando como (desde as primeiras trocas de informação e evoluindo até o mais recente avanço tecnológico da época) conseguimos nos encaixar num grande quebra-cabeça que forma a imagem de que somos ao mesmo tempo criadores, fruto e escravos da nossa linguagem.
Seguindo sua idéia primária, Bordenave nos mostra o poder da comunicação e suas diversas facetas e aplicações. Mostra como a linguagem pode ser usada a favor de uma causa e como ela é capaz de criar e destruir mentes e povos. Ele também nos faz enxergar a importância do seu uso correto e direcionado, sua versatilidade e seus efeitos na modernidade em prol das várias áreas de influência social como a política e o comércio e como todas essas interpretações irão variar de acordo com o contexto em que está inserida, com a aplicação desejada e com a bagagem cultural e nível social dos interlocutores.
Trazendo o autor para o nosso contexto histórico atual, percebemos que a nossa sociedade, no ponto de vista apresentado, não se modificou muito nos mais de vinte anos que se passaram desde a publicação do livro. Sofreram-se evidentemente algumas alterações decorrentes do inevitável progresso tecnológico e da modificação do pensamento social que se adequou cada vez mais a idéias globalizadas, mas manteve-se a mesma linha de pensamento. É certo que estamos evoluindo para nos tornarmos uma sociedade extremamente interativa, mas estamos ainda muito longe de um modelo ideal de comunicação: onde compreenderíamos perfeitamente a todos, e por todos seriamos também compreendidos.
Texto escrito em 20/02/2005
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